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Presidente da Faciap viaja ao Japão com comitiva paranaense para conhecer exemplos de produção e desenvolvimento

08/06/2016


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O presidente da Faciap, Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná, Guido Bresolin Junior, viajou ao Japão, de 12 a 23 de maio, em uma comitiva de autoridades do estado, para reuniões em grandes empresas dos setores automobilístico, portuário e ferroviário daquele país. Durante a missão econômica, o grupo conheceu os processos e as tecnologias que levaram o Japão a ser um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Também faziam parte da comitiva o deputado federal Luiz Nishimori e representantes da ANTT, da Fiep, do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Paraná, da Ferroeste, da cooperativa Cotriguaçú, da EXE Engenharia, de empresários do setor de contabilidade, calcário e fertilizantes e do Terminal de Contêiner de Paranaguá.

Acompanhe a entrevista com o presidente Guido Bresolin Junior sobre a viagem.

Quais setores da produção japonesa foram visitados pela comitiva?

Na questão de infraestrutura, observamos que o principal ganho do Japão é o modelo de PPPs (Parcerias Público-Privadas) organizado pelo país para permitir a competitividade entre organizações que prestam o mesmo serviço. O poder público é responsável por preparar toda a infraestrutura necessária para que o serviço seja prestado. Na hora de gerir, entram grupos empresariais que conseguem competir e montar o seu negócio. Isso faz com que o sistema todo ganhe. Os portos, por exemplo, não possuem um único terminal de contêineres operando, como vemos no Paraná. São vários terminais. E há sempre espaço para outros. Quando a gente observa as ferrovias, o modelo é muito similar. Acredito que o Japão chegou nesse nível de desenvolvimento porque os fatores necessários para o alinhamento da produtividade e da qualidade foram muito bem pensados.

Há mais que o Paraná pode aprender com o Japão, além da tecnologia e dos processos?

O Japão é um modelo de desenvolvimento, com um grau de produtividade, de renda e de qualidade de vida superior a de outros lugares do mundo. Não é de se surpreender que o japonês tem a maior expectativa de vida do planeta.

Nós no Brasil estamos fortemente baseados nos modelos americano e europeu de desenvolvimento. Visitar o Japão abriu nossos olhos para uma visão distinta de como organizar os fatores de produção para gerar renda e desenvolvimento. Eu acredito que o Japão está para a Ásia assim como a Inglaterra está para o Ocidente. Ou seja, é um país que possui um nível de desenvolvimento muito acelerado.

E não é apenas o conhecimento que colocou o Japão onde está hoje. A cultura japonesa pressupõe alguns valores que, sem dúvida, compõem o desenvolvimento daquele país. E esses valores são a base necessária para a construção de organizações sólidas, que perduram durante os anos. Podemos citar como exemplo os grandes nomes no setor automobilístico japonês, como Toyota e Mitsubishi. E assim como elas, as grandes corporações do Japão estão baseadas em cima desses valores.

Em relação à cultura, o que poderia ser exemplo para o Brasil?

O povo japonês foi educado numa cultura milenar e recebeu educação formal antes de muitos outros povos do mundo. Por isso, possui uma cultura diferenciada. Para se ter uma ideia, enquanto no Ocidente exaltamos discussões como as trazidas pelo autor Daniel Goleman, que escreve materiais sobre a importância do foco nas atividades, o japonês tem isso como algo intrínseco de seu comportamento. Para ele, se você não estiver presente 100% no que irá fazer, o ideal é que nem o faça. Assim, no Japão, não se gasta energia em ações que não gerem resultado e satisfação. Esse pensamento individual se reflete dentro das indústrias, do comércio, do setor de serviços e em tudo o que o japonês produz.

Qual foi o grande resultado da missão?

Foram dez dias no Japão em que as principais lideranças pensantes do Paraná puderam observar uma realidade diferente, que, com ajustes, pode ser aplicada no Brasil. Além disso, pudemos ver que é possível melhorar o sistema ferroviário do Paraná. Trocamos ideias, conhecemos grandes companhias do Japão e, observando como as ferrovias funcionam por lá, pudemos compreender onde estão as principais barreiras para termos um modal com eficiência dentro do estado. Estamos perdendo competitividade e qualidade nos serviços de transporte. Foi realmente uma oportunidade única, em que as lideranças que podem fazer diferença no nosso estado se reuniram para pensarem, juntas e por vários dias, um futuro melhor para o Paraná. Isso foi muito importante.

  

Gabriela Brandalise

Assessoria de Imprensa Faciap  

(41) 3307-7007 ou 9961-5198





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